Raul Póvoas Cunha faz 5 anos
Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007
Olá pekenino:
Lembro-me quando falamos pela primeira vez…eu não te conhecia de lado nenhum e eras a ultima pessoa com quem eu tencionava andar, conhecia-te apenas de vista e de ouvir falar de ti. Quando me deriji a ti foi para te dizer que andavam a tua procura para ires trabalhar, pois tu eras um baldas e ás sextas era escusado, fiquei parva quando tu me imploras-te para dizer que não sabia de ti e te escondias atrás do balcão do bar. Como eu não tinha nada a ver com isso fiz o que pedis-te e continuei com a minha vida; mas tu foste ter comigo e eu não entendi porquê, talvez para me agradeceres? Mas não, tu querias conversa e eu dei pensando que iria ser uma simples conversa.
Falamos, falamos e a tarde acabou eram horas de eu ir para casa e de tu continuares a tua vida, assim foi, cada um seguiu o seu caminho. Na sexta a seguir lá estavas tu de novo a beber uns copos, admirei-me quando te derijis-te a mim, não sabia muito bem o que pensar, o que eu sei é que estar contigo ás sextas á tarde já era uma rotina.
O tempo foi passando e tu querias mais, mas eu apenas via em ti um amigo, uma pessoa alegre, divertida, simpática, sem preocupações… e nada mais do que isso, já tu passavas a vida a mandar piropos e a tentar algo mais; até que fizes-te a tua primeira tentativa mas saiu furada, ficas-te frustrado deixando-me logo sozinha e pedindo desculpa, eu disse que não havia problema.
Pensava que iria ser o fim de uma futura amizade mas não, fiquei contente pois eu gostava de estar contigo e divertia-me imenso. Começas-te a querer levar-me ás explicações de matemática e eu não recusei tu eras uma boa companhia! O tempo não parava e nós cada vez estávamos mais juntos, agora já não era só ás sextas era todos os dias, todos os dias íamos tomar café… até que tu tentas-te a tua sorte novamente mas eu era um osso duro de roer e mais uma vez foi uma tentativa falhada, lembras-te estávamos os dois sentados no fora d`horas e tu tentavas agarrar-me enquanto alguns dos teus amigos cantavam para nós "beija, beija, beija", quando tu me ias dar um beijo eu virei-me de repente e disse: "ai! Está ali um copo do Benfica tão bonito!" todos se riram, eu não sabia onde me havia de meter e tu, bem tu estavas com uma cara de parvo a olhar para mim que eu acho que se pudesses me tinhas dado uma hóstia nesse preciso momento, pedi-te desculpa mas eu tinha medo e ainda não era o momento certo...
Foi então que, numa sexta á noite eu sai com os meus amigos e lá estavas tu nos bares como não poderia deixar de ser, com a tua mini na mão e o cigarro na outra! Trocávamos olhares, mas cada um estava com o seu grupo de amigos, até que nos conseguimos afastar deles e ficar os dois sozinhos, tu juntaste-te a mim e ao meu grupo de amigos.
Começamos a trocar carinhos entre nós, o tempo já era muito e estávamos apaixonados mas eu continuava com o meu medo e não queria ir em frente, foi então que me convidas-te para ir ao osíris e eu fui, apresentaste-me os teus amigos do nada e logo a seguir roubaste-me um beijo sem eu esperar, senão ainda poderia ter uma das minhas saídas e tu não o poderes fazer mas na verdade eu adorei e foi então que começou a nossa história.
Era uma história complicada, tudo me criticava pois andava com uma pessoa sem juízo; eu tinha perdido a cabeça, segundo as pessoas, mas eu não pensava assim algo me dizia que por detrás daquela pessoa rebelde havia outra pessoa e acertei. Os meus pais jamais iriam aceitar o nosso namoro mas mesmo assim eu arrisquei sujeitando-me a perder muita coisa… o tempo foi passando e eu lutava todos os dias para poder ficar ao teu lado sem que ninguém nos criticasse.
Então comecei por te tentar pôr algum juízo na cabeça, tentando mostrar-te que a vida não era só feita de borgas, que havia pessoa á nossa volta que também precisavam de nós e também precisavam que os fizéssemos rir. Não foi fácil fazer-te entender isso!... Todavia a nossa relação não consistia apenas em tentar mudar-te, foi por algo mais que nos juntamos.
Era tarde demais tínhamos uma bicha enorme atrás de nós e toda a gente apitava, fomos chamar o segurança para abrir aquilo que depois iríamos pagar, ele não conseguia abrir aquilo demorou imenso tempo e todas as outras pessoas desesperavam, já nós com uma vontade enorme de rir íamos pedindo desculpa, até que tudo se resolveu. Lembro-me ainda de muitas outras coisas, mas são nossas pois, haveria muito mais para contar, haveria muito mais para dizer afinal de contas foram três anos de intenso amor e entrega!
Não consigo ter respostas, apenas sei que está a ser difícil viver sem ti, avisei-te tantas vezes pedi-te tanto para teres cuidado contigo, implorei para não andares com velocidade mas aquele maldito carro amarelo e o maldito álcool levaram-te de mim. Não podia ter acontecido nós tínhamos tantos planos e agora o que é que eu faço com eles? O que é que eu faço ao que sinto por ti?
É com muita pena minha que te deixo, mais ainda que digo ACABOU o sonho chegou ao fim. Vou tentar fazer a minha vida se sozinha se acompanhada nada disso me interessa, muito menos me interessa o que as pessoas possam dizer ou pensar de mim, a única coisa que me interessa é que foste das páginas mais bonitas que passaram por mim e que vai ficar marcada até ao resto da minha vida, contigo vivi o que havia de mais bonito para viver.
Espero que estejas num sítio lindo, pois tu mereces!
Toma conta de nós… até qualquer dia…
Tu jogavas no Soito, adoravas futebol era das coisas que mais te dava gosto fazer, os teus jogos realizavam-se aos domingos muitas das vezes fora do Sabugal. Aos domingos era quando nós podíamos estar os dois, então tu sem pensar deixas-te o futebol para puderes estar comigo, gostavas realmente de mim, mas era um sonho teu que eu gostava que fizesses e pedi-te para reflectires muito sobre isso, tu estavas decidido querias estar comigo e mais nada.
O tempo foi passando e foste jogar para Malcata, eu ia ver os teus jogos sempre que podia, adorava ver-te jogar eras o meu ídolo, mas eras um egoísta adoravas brincar com a bola no campo e passar por todos os outros, eras também um stressado mandavas vir com todos, eu divertia-me imenso a ver jogar-te, dava-me prazer. Infelizmente tiveste de ficar afastado dos campos o teu problema de joelho estava pior e tu não querias ir tratá-lo, das últimas vezes que jogas-te ficas-te com o joelho muito mal e tinhas muitas dores, foste abandonando o futebol com muita pena tua e por teimosia também já que não te querias tratar. Entre outras coisas havia também uma coisa que adoravas o teu famoso carro amarelo, davas tudo por aquele carro, inclusive a vida…
Naquele momento da tua vida havia similarmente outra coisa que te interessava que era a nossa relação, julgo eu, que era linda vivemos coisa espantosas acho que contando ninguém acreditaria. Adorávamos aventuras, desafios mas nada que nos pudesse sair caro, por onde quer que fossemos apanhávamos sempre trauma já se tornava uma rotina, não podíamos sair do sabugal, fazíamos a mínima ideia que fosse a pagar então quando íamos regressar ao destino entrámos no carro e derijimo-nos à saída,qual não foi o espanto que quando íamos sair a cancela não abriu, que fazer?
No entanto, na nossa relação nem tudo era rosas também tínhamos as nossas discussões, não era nada de grave, nada que nunca se resolvesse já que não podíamos estar um sem o outro.
Quando os meus pais abriram a pizzaria fiquei com o tempo muito ocupado e muitas das vezes não te podia dar a atenção que realmente merecias mas tu entendias só que por vezes fartavas-te de estar a olhar para mim a trabalhar esperando por um bocadinho que eu te pudesse dar atenção e ias ter com os teus amigos, eu não queria e mandava vir contigo, talvez por egoísmo ou talvez por medo pois eu sabia perfeitamente que quando ias ter com eles era bebedeira certa e eu não queria. Pois é mas eu não era mais forte que o teu vício de ires aos bares, a noite e as bebedeiras eram mais fortes do que eu; apesar de teres mudado imenso não te conseguia tirar o vicio do álcool, isso era mais forte do que eu e do que tu. Consegui todavia que por algum tempo não saísses durante a semana não sei como mas consegui e tu estavas empenhado nisso.
Durante a semana ajudavas-me na pizzaria e quando fechava íamos para casa descansar, ao fim de semana também me ajudavas mas depois de fecharmos íamos beber um copo a algum lado.
Foi então eu numa quarta feira á noite tu decidis-te sair e eu opus-me, queria que tu fosses para casa e insisti, tu não querias, estavas decidido a ir lá a baixo não havia nada a fazer, logo depois ligou-te a tua mãe a pedir para ires para casa e tu respondes-te: "já vou, mãe", eu fiquei descansada afinal tinhas mudado de ideias, mas não, tu querias realmente ir, deitando-me á cara que os teus amigos te gozavam e mandavam piadas para o ar dizendo: "bebe agora que ela não está cá", fiquei furiosa perguntei quem tinha sido e não iria medir as minhas palavras, disse-te que muitos dos teus amigos eram uns parvos e que não sabiam nada de nada, só eram amigos para os copos, concordas-te pois disseste-me logo de seguida que sabias quem eram realmente os teus amigos de verdade mas nada te fez mudar de ideia tu estavas decidido ir, dissemos até amanhã, tu sais-te do carro e foste para os bares a pé eu fui para casa estava exausta e para o outro dia iria trabalhar; esperava pelo teu toque quando chegasses a casa como era habitual mas tinha acordado por volta das 4:30/5:00 da manhã e não tinha nenhum toque no telemóvel foi então que fui à janela ver se o teu carro ainda estava estacionado á porta da pizzaria, já não o vi, fiquei descansada pois pensava que já tinhas ido para casa e estavas a dormir, estive para te ligar mas pensei melhor e decidi não o fazer pois iria acordar-te e não queria, fui dormir também.
No dia seguinte minha irmã ligou-me muito cedo e achei estranho ela perguntar se eu estava bem, respondi que sim e continuei a dormir, logo de seguida recebi outra chamada do Cristiano perguntando se sabia o que tinha acontecido, fiquei preocupada algo estava errado ele estava nervoso e disse-me de imediato que o Raul, o meu pequenino, tinha tido um acidente, perguntei como ele estava e onde estava, ele calou-se, mas eu insisti estava a ficar assustado, então ele disse-me que diziam que ele tinha morrido mas eu não acreditei, saltei da cama e desci as escadas do meu quarto logo ao fundo encontrei a minha mãe a chorar e pedindo-me que tivesse calma, mesmo assim não acreditei as pessoas estavam a exagerar, corri para a pizzaria estava lá imensa gente e toda a gente me dava os sentimentos eu gritava que isso era mentira e pedi de imediato que me levassem até ti, fomos ao centro de saúde e corremos para as urgências pedi para te ver disseram-me para ter calma eu pensei que estivesses em observações, e queria acreditar nisso, deram-me um comprimido e eu não quis eles insistiram senão não me deixariam ver-te eu tomei logo de seguida pois o que eu queria era ver-te.
Levaram-me a ti, conduziram-me para espécie de uma cave e eu não entendia porquê foi então que me abriram a porta onde tu estavas, foi horrível a minha esperança tinha chegado ao fim, era a verdade já nada havia a fazer, dai… não queria acreditar no que os meus olhos tinham acabado de ver, era um sonho mau tinha de ser, passou-me tudo pela cabeça senti-me culpada, pois se eu tivesse saído talvez nada disso tinha acontecido, eu devia ter-me imposto mais, devia ter-te dado uma sova e fazer-te ir para casa mas a vida não é feita de ses e já nada havia a fazer, afinal de contas eu não era o teu anjo da guarda 24 horas por dia! Pedi para me levarem ao local do acidente e para ver o teu carro, ver se conseguia entender o porquê de tão aparatoso acidente. Fiquei surpreendida com o sitio que me mostraram e mais ainda quando vi o teu carro.
Nunca tinhas ido para ali e porquê naquele dia? Mas é uma resposta que nunca vou saber pois tu já partis-te e nunca mais me vais responder a isso!
Eras tão bom para toda a gente menos para ti, eras incapaz de dar um não, só a quem realmente se importava contigo. Não me ouvis-te e agora é tarde… acabou, acabou da pior maneira, da maneira que eu muitas vezes temi que acabasse e por isso te pedia tanto para andares devagar e para te afastares daqui! Sei que muita gente falava de mim e me criticavam por eu não te querer deixar sair mas isso nunca me importou, nunca me importou o facto do que os teus amigos poderiam dizer ou pensar de mim, sabia que era o melhor para ti, mas tu ligavas muito ao que os outros diziam e eu tinha de me calar.
Hoje foste tu, amanhã vai ser outro e ninguém pára para pensar as pessoas aqui não querem saber de ninguém apenas querem saber de beber mais um e mais um não interessa onde nem até que horas o importante é beber e andar na estrada bêbados, que querem afinal as pessoas desta vida? Querem que todos os jovens acabem assim… malditos vícios, malditos tempos! Tudo era bem mais bonito se estas mortes não existissem, que não houvesse guerras e que toda a gente reflectisse um pouco com o dia a dia e com os exemplos dos outros.
Tudo está tão vazio, tu não estás e eu vejo-te em todos os lados, já não sei como lidar com este vazio eu tento eu juro que tento, mas está a ser tão difícil só que não posso ser tão egoísta ao ponto de não ligar ás pessoas que me rodeiam, é por isso que tenho de ser forte e tenho de seguir em frente!
Porquê tu?
Porque me abandonas-te?
Porque é que não destes ouvidos a quem gostava realmente de ti?
Porquê, porquê, porquê? …